Amor

By Delminda Silveira de Sousa

Volvera a quadra das mimosas flores,

o mar, de amores, murmurava endechas,

a brisa meiga a suspirar galerna

da rola terna soletrava as queixas.

Eu disse à onda que gemia triste:

— em que consiste tua acerba dor?

E a onda triste se quebrou morrendo,

E foi dizendo brandamente — Amor!

Eu disse à brisa das auroras ledas:

— tu, que segredas nos vergéis em flor?

e a brisa meiga suspirou passando

e murmurando docemente — Amor!

Eu disse à rola que carpia aflita:

— de que desdita te consome a dor?

e a rola aflita, soluçando ainda,

na mágoa infinda, repetiu: — Amor!

Após, meu peito suspirou sentido,

Num ai dorido, de profundo horror,

e eu disse n’alma que a tristeza oprime

— que mágoa exprime essa palavra — Amor!

Volvera a quadra das mimosas flores,

volvem amores ao universo inteiro,

só de minh’alma as ilusões queridas

foram perdidas qual sonhar fagueiro!