Amor

By João da Cruz e Sousa

Nas largas mutações perpétuas do universo

O amor é sempre o vinho enérgico, irritante...

Um lago de luar nervoso e palpitante...

Um sol dentro de tudo altivamente imerso.

Não há para o amor ridículos preâmbulos,

Nem mesmo as convenções as mais superiores;

E vamos pela vida assim como os noctâmbulos

À fresca exalação salúbrica das flores...

E somos uns completos, célebres artistas

Na obra racional do amor — na heroicidade,

Com essa intrepidez dos sábios transformistas.

Cumprimos uma lei que a seiva nos dirige

E amamos com vigor e com vitalidade,

A cor, os tons, a luz que a natureza exige!...