Amortalhada

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Ela nasceu em julho. E que frio fazia!

Lá fora, o vento sul as vagas encrespava...

Mas, a nossa filhinha, entre painas dormia

Tranquilamente, assim... e, sorrindo, sonhava.

E com quem nossa filha amada sonharia?

Sabe-o Deus, pois alguém das nuvens a espreitava,

Enquanto o vento sul lá por fora bramia,

E o nosso coração no seu berço cantava.

Mas seis meses, depois, por uma linda tarde

Em que o querido sol com mais flamâncias arde,

Dos olhos de Zarina os místicos fulgores

Fugiram para sempre... E, agora, ei-la num leito,

De espada ao coração e mãos em cruz no peito,

A lembrar, nossa filha, a Senhora das Dores!