Antes morrer

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Que a paz dos altos céus estrelados te venha

A alma aflita buscar, é o meu maior desejo...

A alma dentro da qual a mágoa se desenha

Como na escuridão a nódoa de um lampejo.

Trezentos e sessenta e seis degraus da Penha

São os dias por ti sempre contados! Vejo

Sem pão a tua mesa; e o teu fogão sem lenha,

Enquanto muitos pães no mundo há de sobejo!

Desde o dia em que o mar, que é sempre austero e forte,

Chamou o teu marido aos mistérios da morte,

Tua vida tem sido uma eterna invernia...

E o que responde o luar, quando triste lhe falas?

“Nada, nada responde”. E quando então te calas?

“Sacode ao meu silêncio uns risos de ironia”