AO AVISTAR O RIO DE JANEIRO
Despe as nuvens que encobrem
Sol da minha f’licidade
Que abre a flor dos meus prazeres
Santo orvalho da amizade.
Respiro os ares da pátria
Contemplo os encantos seus;
Os meus contentes me abraçam,
Eu contente abraço os meus.
Meu Deus, meu Deus, não consintas
Que a pátria torne a deixar;
Que da segunda ferida
Talvez não possa escapar!
Se no íntimo a primeira
Feria-me d’alma a raiz,
Bem pode inteira cortá-la
Segunda na cicatriz.
Completa a cura, não deixes
De novo o mal renascer;
Que amarga mais que a desgraça
A negaça do prazer.
Não suceda à cruz rojada
Mais pesada nova cruz,
Não condenes mais às trevas
O cego a quem deste a luz.