AO AVISTAR O RIO DE JANEIRO

By Laurindo José da Silva Rabelo

Despe as nuvens que encobrem

Sol da minha f’licidade

Que abre a flor dos meus prazeres

Santo orvalho da amizade.

Respiro os ares da pátria

Contemplo os encantos seus;

Os meus contentes me abraçam,

Eu contente abraço os meus.

Meu Deus, meu Deus, não consintas

Que a pátria torne a deixar;

Que da segunda ferida

Talvez não possa escapar!

Se no íntimo a primeira

Feria-me d’alma a raiz,

Bem pode inteira cortá-la

Segunda na cicatriz.

Completa a cura, não deixes

De novo o mal renascer;

Que amarga mais que a desgraça

A negaça do prazer.

Não suceda à cruz rojada

Mais pesada nova cruz,

Não condenes mais às trevas

O cego a quem deste a luz.