AO CAPITÃO BENTO RABELLO MORADOR NA VILLA DE S. FRANCISCO AMIGO DO POETA, QUE PO...
Pois me deixais pelo jogo,
licença me haveis de dar
para vos satirizar
como amigo.
Fará isso um inimigo,
deixares-me miserando,
por estar sempre beijando
o ás de copas.
Quando andáveis lá nas tropas
de tanta campanha armada,
jogáveis jogo de espada
ou da espadilha?
Quem vos meteu a potrilha,
para estares noite, e dia
na triste tafularia
de um cruzado?
Não é melhor desenfado
passares à Cajaíba,
onde o jogo vos derriba
e escangalha?
É mau ver esta canalha
Clara, Bina, e Lourencinha,
a quem dizeis a gracinha
de soslaio?
É mau encaixar-lhe o paio
encostado aqui na torre,
e ela dizer-vos, que morre
de olho em alvo?
É mau meteres o calvo
entre tanta pentelheira,
e sair co’a cabeleira
encrespadinha?
Que mau é Mariquitinha,
quando está com seus lundus
fazer-vos com quatro cus
o rebolado?
Quem vos chamar home honrado,
não tem honra, nem razão,
que vós sois um toleirão,
e um Pasguate.
Mas se deixais por remate
esse jogo, esse monturo
sois Príncipe, que de juro
senhoreia.
Sois o Mecenas da veia
deste Poeta nefando,
que aqui vos está esperando
com jantar, merenda, e ceia.