AO CAPITÃO BENTO RABELLO MORADOR NA VILLA DE S. FRANCISCO AMIGO DO POETA, QUE PO...

By Gregório de Matos Guerra

Pois me deixais pelo jogo,

licença me haveis de dar

para vos satirizar

como amigo.

Fará isso um inimigo,

deixares-me miserando,

por estar sempre beijando

o ás de copas.

Quando andáveis lá nas tropas

de tanta campanha armada,

jogáveis jogo de espada

ou da espadilha?

Quem vos meteu a potrilha,

para estares noite, e dia

na triste tafularia

de um cruzado?

Não é melhor desenfado

passares à Cajaíba,

onde o jogo vos derriba

e escangalha?

É mau ver esta canalha

Clara, Bina, e Lourencinha,

a quem dizeis a gracinha

de soslaio?

É mau encaixar-lhe o paio

encostado aqui na torre,

e ela dizer-vos, que morre

de olho em alvo?

É mau meteres o calvo

entre tanta pentelheira,

e sair co’a cabeleira

encrespadinha?

Que mau é Mariquitinha,

quando está com seus lundus

fazer-vos com quatro cus

o rebolado?

Quem vos chamar home honrado,

não tem honra, nem razão,

que vós sois um toleirão,

e um Pasguate.

Mas se deixais por remate

esse jogo, esse monturo

sois Príncipe, que de juro

senhoreia.

Sois o Mecenas da veia

deste Poeta nefando,

que aqui vos está esperando

com jantar, merenda, e ceia.