AO CAPITÃO DOMINGOS GLz. FERREYRA APPELLIDADO O RAPADURA, A QUEM HUMA DAMA PURGOU COM HUNS ARAÇÁS, DE QUE TEVE UMA DIARRHEA.

By Gregório de Matos Guerra

Minha gente, você vê

as loucuras tão borrachas

deste Capitão das Taxas,

que agora direi, quem é:

veio pedir de mercê,

que lhe celebrasse a cura

de uma purgação madura,

que a amiga lhe tinha dado,

porque, sem comer melado

o fez cagar rapadura.

Eu cuido, e é de cuidar,

que esta Puta sem agrado,

como o tinha já sangrado,

o quereria purgar:

não há nela, que estranhar,

nem que reprovar-lhe a ação,

antes muita compaixão,

porque quis piedosamente,

que se era de amor doente,

ficasse co’a praga são.

Se livrais do palalá,

alerta meu Capitão,

que há Puta, que dá pinhão

com rebuço de araçá:

vosso Primo Mangará,

que nesta matéria bole,

diz, que quem tal purga engole,

e no cagar tanto atura,

já não será rapadura,

porque foi jalapa mole.

Temos por cá averiguado

com este vosso entremez,

que o fruto, que tal mal fez,

devia de ser vedado:

vós ficastes enganado

por aquela Eva atroz;

se outra vez vos quiser dar,

e não puderdes cagar,

eu irei cagar por vós.

Saiba-se em qualquer lugar,

que esta rapadura inteira,

foi da casa de caldeira

para a casa de purgar.