AO CAPITÃO JOÃO ROIZ DOS REIS HOMEM GENEROSO, E ALENTADO GRANDE AMIGO DO POETA, ...
Meu Capitão dos Infantes,
que por vossas boas artes
sois homem de muitas partes
nascendo só em Abrantes:
por vossos ditos galantes,
discretos, e cortesãos,
e por largueza de mãos
a todos nos pareceis
não somente João dos Reis,
senão o Rei dos Joãos.
O Príncipe, que de juro
senhoreia os corações
(como lá disse Camões)
que sois vós, o conjeturo:
tanto nisto me asseguro,
que em ver como procedeis,
presumo, que descendeis
dalgum Príncipe da França
donde tendes por herança
esse apelido dos Reis.
A boa arte de reinar
em um coração rendido,
e não seres vós nascido,
não se pudera imitar:
vós nos podeis ensinar
com paridades, e apodos
os bons meios, e os bons modos,
com que todo o mundo embaça,
porque sempre estais de graça,
por fazeres graça a todos.
O generoso da mão,
o coração varonil,
onde vos cabe o Brasil,
vos sobeja o coração:
com pobres a compaixão,
cos ricos o liberal,
na amizade tão leal,
na palavra tão muciço
para mim tudo é feitiço,
sendo cousa natural.