AO CONDE DE VILA-VERDE I
Mandais-me que os versos traga
Que na almofada falaram;
Porque os outros vos ficaram
Nas mãos da ilustre Arriaga.
Essa honra é uma paga,
Que eles nunca mereceram:
Se os seus olhos se puseram
Sobre tão baixa escritura,
Devo essa grande ventura
Às ilustres mãos que os deram.
Mas é do meu triste fado
Tão teimosa a crueldade,
Que até na felicidade
Vejo que sou desgraçado:
Pois devíeis cautclado
Segurar a ocasião:
Fingindo que errava a mão,
Entre mil papeis diversos,
Podieis em vez de versos,
Dar-lhe a minha petição.