AO CONDE DE VILA-VERDE, MINISTRO DO REINO, AGRADECENDO EM NOME DOS SEUS COLEGAS ...
Senhor, por mil benefícios
Tenho as vossas mãos beijado;
Das mais vezes vinha só,
Hoje venho acompanhado.
Eu venho em nome de muitos,
E em nome da gratidão,
Pôr nossas humildes bocas
Sobre a vossa ilustre mão;
Ela as lira de ociosas,
Ela lhes dá que fazer
Na obrigação de beijar,
No exercício de comer;
Ah, senhor, que obra tão justa!
É obra da vossa mão:
É fazer que pague o luxo
Tributos à precisão;
Quem haverá tão inícuo,
E d’uma ambição tão crua.
Que infame a nossa fortuna.
Que fez o caminho à sua!
Quem por muito for dar pouco,
Mas com forçada vontade,
É sectário do egoísmo,
É traidor da sociedade.
Fazem por vós puros votos
Os peitos imparciais,
Que assim as comuns fortunas
Sabiamente equilibrais.
De altas graças despenseiro
Intentais com mãos prudentes
Reparti-las de tal arte,
Que fiquem todos contentes.
Pelo quinhão que nos cabe
Vossa reta mão beijamos;
E sem sermos atrevidos,
Também nós vos despachamos.
Bênçãos, amor merecido,
Gratos, ternos sentimentos.
Para uma alma como a vossa,
Não são maus emolumentos.