AO CONDE DE VILA-VERDE, MINISTRO DO REINO, AGRADECENDO EM NOME DOS SEUS COLEGAS ...

By Nicolau Tolentino de Almeida

Senhor, por mil benefícios

Tenho as vossas mãos beijado;

Das mais vezes vinha só,

Hoje venho acompanhado.

Eu venho em nome de muitos,

E em nome da gratidão,

Pôr nossas humildes bocas

Sobre a vossa ilustre mão;

Ela as lira de ociosas,

Ela lhes dá que fazer

Na obrigação de beijar,

No exercício de comer;

Ah, senhor, que obra tão justa!

É obra da vossa mão:

É fazer que pague o luxo

Tributos à precisão;

Quem haverá tão inícuo,

E d’uma ambição tão crua.

Que infame a nossa fortuna.

Que fez o caminho à sua!

Quem por muito for dar pouco,

Mas com forçada vontade,

É sectário do egoísmo,

É traidor da sociedade.

Fazem por vós puros votos

Os peitos imparciais,

Que assim as comuns fortunas

Sabiamente equilibrais.

De altas graças despenseiro

Intentais com mãos prudentes

Reparti-las de tal arte,

Que fiquem todos contentes.

Pelo quinhão que nos cabe

Vossa reta mão beijamos;

E sem sermos atrevidos,

Também nós vos despachamos.

Bênçãos, amor merecido,

Gratos, ternos sentimentos.

Para uma alma como a vossa,

Não são maus emolumentos.