AO DEZEMBARGADOR BELCHIOR DA CUNHA BROCHADO VINDO DE SINDICAR, O RIO DE JANEYRO EM OCCASIÃO, QUE ESTAVA O POETA PREZO PELO OUVIDOR DO CRIME, PELO FURTO DE HUMA NEGRA, SOLTANDO-SE NA MESMA OCCASIÃO O LADRÃO.
Senhor Doutor: muito bem-vinda seja
A esta mofina, e mísera cidade
Sua justiça agora, e equidade,
E Letras, com que a todos causa inveja.
Seja muito bem-vindo: porque veja
O maior desbarate, e iniquidade,
Que se tem feito em uma, e outra idade
Desde que há tribunais, e quem os reja.
Que me há de suceder nestas Montanhas
Com um Ministro em Leis tão pouco visto,
Como previsto em trampas, e maranhas?
É Ministro de império, mero, e misto,
Tão Pilatos no corpo, e nas entranhas,
Que solta um Barrabás, e prende um Cristo.