AO DIA DO JUIZO.

By Gregório de Matos Guerra

O alegre do dia entristecido,

O silêncio da noite perturbado

O resplandor do sol todo eclipsado,

E o luzente da lua desmentido!

Rompa todo o criado em um gemido,

Que é de ti mundo? onde tens parado?

Se tudo neste instante está acabado,

Tanto importa o não ser, como haver sido.

Soa a trombeta da maior altura,

A que a vivos, e mortos traz o aviso

Da desventura de uns, d’outros ventura.

Acabe o mundo, porque é já preciso,

Erga-se o morto, deixe a sepultura,

Porque é chegado o dia do juízo.