AO DISFARCE DAS MULHERES

By Nicolau Tolentino de Almeida

Vens debalde, oh belíssima perjura,

C’o lindo rosto em lágrimas banhado:

Já fui por ti mil vezes enganado,

E sempre me afetaste essa ternura.

Esse alvo peito, que é de neve pura,

Mas de aço e fino bronze temperado,

Encobre um coração refalseado,

Um coração de viva rocha dura.

Em vão trabalhas, se enganar-me queres.

Vejo correr com ânimo sereno

Esse pranto em que fundas teus poderes:

Mal inventado ardil! ardil pequeno!

Tu mesma me ensinaste, que as mulheres

Misturam com as lágrimas veneno.