AO FILHO DO MARQUÊS DE ANGEJA, EM DESCULPA DE NÃO ENTRAR NO SEU QUARTO QUANDO TE...
Bem conheço, senhor, sem que m’o digas,
Que passa a ser um crime este receio,
Em quem por ti se deve ir pôr no meio
Das lanças, e de espadas inimigas:
Não me lembrar de obrigações antigas,
Nem por onde a fortuna enfim me veio,
É coisa feia; mas inda é mais feio
O semblante de um velho com bexigas:
Das roxas marcas, que no rosto trazes,
Tua grande bondade me dispense;
Ajunta este favor aos mais que fazes:
E qual fez maior bem, o mundo pense;
Se teu pai em livrar-me de rapazes,
Se tu, do cruel mal que lhes pertence.