AO FILHO DO MARQUÊS DE ANGEJA, EM DESCULPA DE NÃO ENTRAR NO SEU QUARTO QUANDO TE...

By Nicolau Tolentino de Almeida

Bem conheço, senhor, sem que m’o digas,

Que passa a ser um crime este receio,

Em quem por ti se deve ir pôr no meio

Das lanças, e de espadas inimigas:

Não me lembrar de obrigações antigas,

Nem por onde a fortuna enfim me veio,

É coisa feia; mas inda é mais feio

O semblante de um velho com bexigas:

Das roxas marcas, que no rosto trazes,

Tua grande bondade me dispense;

Ajunta este favor aos mais que fazes:

E qual fez maior bem, o mundo pense;

Se teu pai em livrar-me de rapazes,

Se tu, do cruel mal que lhes pertence.