Ao mar

By Delminda Silveira de Sousa

Bem sei, ó mar, bem sei porque suspiras,

Assim, às vezes, tão saudoso e brando,

E porque, vezes outras, rebramando,

Em nívea espuma teu furor atiras.

— Louco! — louco infeliz aceso em iras,

Tântalo és à dura Terra amando,

Que a fria areia, em vão, sempre beijando,

Ora de raiva, ora de Amor deliras!

Não sabes tu que um dia, quando Deus

A Luz criou, o vasto Mundo e os Céus,

Quis, da porção terráquea, separar-te?

E o sol fecundo a Terra desposou

Numa efusão que o Eterno abençoou

— A esposa doutro rei não pode amar-te!