AO MARQUÊS DE ANGEJA

By Nicolau Tolentino de Almeida

Treze invernos, senhor, tenho contado

Depois que o fado meu, triste e mesquinho,

Sobre alto assento de lavrado pinho,

Me faz ser de crianças escutado:

Meti à força este rebelde gado

Dos amenos estudos no caminho;

E alçando um velho, crespo pergaminho,

Por ele sãs doutrinas lhe hei ditado:

Entre mira, e esta brava gente moça,

É já tempo, senhor, de assentar pazes;

Porém, sem vós, receio que não possa:

Interponde palavras eficazes;

E fazei com que eu dê, por mercê vossa,

Sueto para sempre aos meus rapazes.