AO MARQUÊS DE ANGEJA
Treze invernos, senhor, tenho contado
Depois que o fado meu, triste e mesquinho,
Sobre alto assento de lavrado pinho,
Me faz ser de crianças escutado:
Meti à força este rebelde gado
Dos amenos estudos no caminho;
E alçando um velho, crespo pergaminho,
Por ele sãs doutrinas lhe hei ditado:
Entre mira, e esta brava gente moça,
É já tempo, senhor, de assentar pazes;
Porém, sem vós, receio que não possa:
Interponde palavras eficazes;
E fazei com que eu dê, por mercê vossa,
Sueto para sempre aos meus rapazes.