AO MARQUÊS DE POMBAL

By Nicolau Tolentino de Almeida

Em vários céus, em climas apartados,

Mostrar ao rei e ao reino alta lealdade;

Tecer a Portugal doirada idade

De claros dias nunca em vão gastados:

Os mares lusitanos ver cruzados

De mil côncavas velas de amizade;

Levantar-se magnífica cidade

D’entre informes torrões afogueados:

Mil virtudes, enfim, marquês invicto,

Com que a arte e natureza enriquecera

De tenros anos teu sublime esp’rito.

Os grandes crimes são, aos quais erguera

Mão infame patíbulo inaudito,

Se mão infame contra o céu valera.