AO MARQUÊS DE POMBAL
Em vários céus, em climas apartados,
Mostrar ao rei e ao reino alta lealdade;
Tecer a Portugal doirada idade
De claros dias nunca em vão gastados:
Os mares lusitanos ver cruzados
De mil côncavas velas de amizade;
Levantar-se magnífica cidade
D’entre informes torrões afogueados:
Mil virtudes, enfim, marquês invicto,
Com que a arte e natureza enriquecera
De tenros anos teu sublime esp’rito.
Os grandes crimes são, aos quais erguera
Mão infame patíbulo inaudito,
Se mão infame contra o céu valera.