AO MESMO CAPITÃO FRETANDOLHE A AMASIA CERTO HOMEM CHAMADO O SURUCUCU.

By Gregório de Matos Guerra

Passou o surucucu,

e como andava no cio,

com um e outro assobio,

pediu a LuÍsa o cu:

Jesu nome de Jesu,

disse a Mulata assustada,

se você é cobra mandada

que me quer ferir da escolta

dê uma volta, e na volta

poderá dar-me a dentada.

Apenas isto escutou,

quando a boa cobra solta

deu a volta, mas a volta

não foi, a que a namorou:

porque o bom Adão achou

no Paraíso, ao entrar,

sem poder a Eva falar,

jurando o seu nome em vão,

pecou no segundo então,

por no sexto não pecar.

O seu Santo nome disse

em vão: mas o capitão

perguntou a Luísa então

a causa da parvoíce:

ela; porque ele ouvisse,

toda de risinhos morta,

este mandu (disse absorta)

não repara, que se implica

marchar eu com outra pica,

tendo o Capitão à porta?

Saiba, Senhor Capitão,

que se Luísa, se fornica,

antes com homem de pica,

que com homem de bastão:

porém se este toleirão,

quiser vomitar peçonha,

livrar-me-ei dessa erronha,

pois na sua cara vejo,

que terá muito de pejo,

mas tem mui pouca vergonha.

Prometeu vir do passeio

veio como um corrupio,

eu não vi homem tão frio,

que tão depressa se veio:

sobre ser frio é mui feio;

sobre ser feio é mui tolo:

porém se o meu porta-colo

não erra, tem o magano

nos culhões muito tutano,

na testa pouco miolo.