AO MESMO E PELO MESMO CASO, QUE CHAMAVA AO POETA SEU MESTRE NA SOLFA, PORQUE COM...

By Gregório de Matos Guerra

Quem deixa o seu amigo por arroz,

Não é homem, nem é de o ser capaz,

É Rola, Codorniz, Pomba torquaz

Não falo em Papagaios, e Socós.

Quem diz, que vai ficar dois dias sós,

E seis dias me tem neste solaz,

Tão pouco caso do seu mestre faz,

Como faz do seu burro catrapós.

Andar: ele virá cantar os rés,

E então lhe hei de entoar tão falsos mis,

Que saiba, como pica o meu revés.

Dai vós ao demo o decho de aprendiz,

Que a seu mestre deixou tão triste rês

Por quatro grãos de arroz, quatro ceitis.