AO MESMO FRADE TORNA A SATYRIZAR O POETA, SEM OUTRA MATERIA NOVA, SENÃO PRESUMIN...

By Gregório de Matos Guerra

Reverendo Fr. Fodaz,

não tenho matéria nova,

de que vos faça uma trova,

mas de antiga tenho assaz:

que como sois tão capaz

de ires de mau a pior,

suponho de vosso humor,

que enquanto a velha, e o frade

sois sempre em qualquer idade

mais ou menos fodedor.

Na boa filosofia

mais ou menos não difere,

e assim vós que estais, se infere,

na mesma velhacaria:

Lembra-me a mim cada dia

tanto sucesso indecente,

que de vós refere a gente,

que inda que d’outra monção,

sei, que de hoje para então

nada tendes diferente.

Se o burel, que se remenda,

e o ser frade, e ser vilão

vos fazem mais fodinchão,

como haveis de ter emenda?

Será inútil contenda

querer, que vos emendeis,

pois como vós não deixeis

de ser frade, e ser vilão,

sempre heis de ser fodinchão,

fodereis, mais fodereis.

Quem a causa não desfaz,

não destrói o seu efeito,

com que vós no hábito estreito

sempre haveis de ser fodaz.

Valha o diabo o mangaz,

que em vendo a pinta, e a franga

aqui, em Jacaracanga,

em público, e em secreto,

se lhe cheira o vaso preto,

logo a porra se lhe emanga.

De um pirtigo tão velhaco,

que tão súbito se engrossa,

que direi, senão que almoça

vinte picas de Macaco:

membro, que em todo o buraco

se quer meter apressado,

qual arganaz assustado,

fugindo ao ligeiro gato,

que direi, que é membro rato?

Não: porque este é consumado.

Pois logo que hei de dizer,

como, e com que paridade

porei o membro de um frade,

a quem não farta o foder?

Eu não me sei nisto haver,

nem por que apodo me reja:

mas o mundo saiba, e veja,

que o membro deste mangado

é já membro desmembrado

da justiça, mais da Igreja.