Ao meu coração

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Que um dia tombarás à sombra de um jazigo,

Bem sei, meu coração. Saudoso tombarás.

Da morte no regaço eterno, nesse abrigo

De tudo quanto é sonho, ou convulsivos ais!

Mas tu, meu coração, sempre leal amigo

Da eleita da tua alma ainda continuarás?

Dela que te quer tanto e anda sempre contigo,

Por estradas de sol, ou de trevas letais?

Calado ficarás, ao veres-me calado...

Pois toda a tua essência há de ao céu constelado

Evolar-se, sutil, em busca do Mistério...

E se não fosse assim, que profunda agonia!

Chorarias por ela, aflito, noite e dia,

Na atra desolação do frio cemitério.