AO OUVIDOR GERAL DO CRIME QUE TINHA PREZO O POETA (COMO ACIMA SE DIZ) EMBARCANDO...

By Gregório de Matos Guerra

Lobo cerval, fantasma pecadora,

alimária cristã, salvage humana,

Que eras com vara pescador de cana,

Quando devias ser burro de nora.

Leve-te Berzabu, vai-te em má hora,

Levanta já daqui fato, e cabana,

E não pares senão na Trapobana,

Ou no centro da Líbia abrasadora.

Parta-te um rato, queime-te um corisco

Na cama estejas tu, sejas na rua,

Sepultura te dêem montes de cisco.

E toda aquela cousa, que for tua

Corra sempre contigo o mesmo risco,

Ó salvage cristã, ó besta crua.