AO OUVIDOR GERAL DO CRIME QUE TINHA PREZO O POETA (COMO ACIMA SE DIZ) EMBARCANDO-SE PARA LISBOA.

By Gregório de Matos Guerra

Lobo cerval, fantasma pecadora,

alimária cristã, salvage humana,

Que eras com vara pescador de cana,

Quando devias ser burro de nora.

Leve-te Berzabu, vai-te em má hora,

Levanta já daqui fato, e cabana,

E não pares senão na Trapobana,

Ou no centro da Líbia abrasadora.

Parta-te um rato, queime-te um corisco

Na cama estejas tu, sejas na rua,

Sepultura te dêem montes de cisco.

E toda aquela cousa, que for tua

Corra sempre contigo o mesmo risco,

Ó salvage cristã, ó besta crua.