Ao partir

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Ao prendê-la nos seus braços febricitantes,

Beijou-lhe a trança negra e a boca perfumada,

E as mãos... (Ah! como dói às almas dos amantes

Uma separação assim precipitada!)

Caía a tarde sobre as montanhas distantes,

E, na praia tão branca, alvadia e lavada,

Os rendilhos da espuma abriam-se, flamantes,

Sob a brusca pressão da rígida nortada.

E, num barco, a correr nas vagas buliçosas

Partiu... Quanta amargura e lágrimas custosas,

Naquele coração tristíssimo, inditoso!

No mar alto, porém, ao resplendor dos astros,

Num contínuo bailado, em derredor dos mastros,

Cada gaivota branca era um lenço saudoso!