Ao pôr do sol

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Longe um barco aparece, entre neblinas frias

De um pôr de sol de junho. E o mar recorda um rio,

De tão calmo que está. Nas praias alvadias

Corre um doce, um suave, um leve murmúrio.

Há fluidos de cristais por sobre as penedias...

O céu, quase sem luz, se arqueia ermo e sombrio,

Aves cruzam no espaço, ariscas, erradias...

E o vento vem chegando em brando rodopio.

“Vento, vinde trazer-me o barco mais depressa”

Diz Valésia na praia. E, célere, atravessa

Os cômoros, gritando, ardente de ansiedade.

E eu, que vinha chegando, em pé, no tombadilho,

Pude ver que não há faróis com tanto brilho

Como os olhos de quem espera com saudade.