AO PROVEDOR DOS AUSENTES, E DA SANTA CASA DO DEZor PEDRO DE UNHÃO CASTELBRANCO, ...
Aqui chegou o Doutor,
e basta, que o Doutor diga,
para que explicar consiga,
que chegou o Provedor:
de antinomásia o Senhor,
o nobre, o esclarecido,
já têm todos entendido,
que é aqui o Castelbranco,
a quem o Céu fez tão branco
em sangue, como em apelido.
Chegou a estes areais,
e alegrou-se tanto o monete,
que num, e noutro horizonte
se vêem trêmulos sinais:
a alegria, que no mais
vegetável se entendia,
tanto obrava, tanto urdia,
em todo o tronco valente,
que em Letras do sol ardente
Castelo branco se lia.
O monte escreveu na falda
“aqui chegou o Doutor”
com Letras de branca flor
sobre papel de esmeralda:
o raio do Sol, que escalda,
o ar Largo, a folha breve
tanto o natural reteve,
que por impulso, ou por rogo
em vez de raios de fogo
arrojou campos de neve.
O Sol em seu parto Leito,
onde morre cada dia.
se escondeu de cortesia
talvez, talvez de respeito:
eu observava em meu peito,
que a boa conversação
do nosso Doutor Unhão
mui alta esfera subia:
mas não soube, se seria
de douto, ou de cortesão.
Foi-se levando consigo
nosso gosto, vida, e agrado,
ele diz, que vai forçado,
e eu que por ser inimigo:
tão bem molesta o amigo,
quando se ausenta, e se deixa:
porém será injusta queixa,
a que eu fizer nesta parte,
pois quem forçado se parte,
de inimigo não me deixa.