AO SR. JOÃO ANTÔNIO DA TRINDADE

By Laurindo José da Silva Rabelo

Ora de rosas, ora de ciprestes,

As horas da existência coroadas

Voam nas asas do volúvel tempo

Lentas algumas, outras apressadas.

Mas na marcha que levam sinais deixam

De uma vida constante ou transitória:

Umas do esquecimento engole o pego

Outras medram no campo da memória.

Aí frondosas árvores florentes

Os mausoléus que a dor tem levantado

São os frutos que colhe uma alma atenta

Quando vaga nos mundos do passado.

Daí vem que o espírito, voando

Do passado na vasta imensidade,

Ergue às vezes um hino de alegria,

Às vezes chora um pranto de saudade!

Bem-vinda sejas, hora sacrossanta

Das raras festivais — bem-vinda sejas!

Oh! nunca a nuvem negra do desgosto

Ofusque a luz divina que dardejas!

Anos oitenta e dous há, que do mundo

Viu feliz a primeira claridade

Um ente, em quem prudência, brio e honra

Se juntaram, formando uma — TRINDADE!

Despido de brasões, nobre na essência,

De elevado sentir, modesto e puro,

Fazendo do trabalho o seu destino,

Arrancou de si mesmo o seu futuro!

Disse — sou homem! — trabalhou, e fez-se...

Se achou tropeços, fez em mil pedaços:

E sentindo-se, enfim, robustecido,

Piedoso ao aflito estende os braços.

Se as coroas não têm desses pequenos

Que a fama como grandes apregoa,

As virtudes que brilham-te na fronte

Decerto que lhe dão melhor coroa!

É grinalda do céu, de viço eterno,

Onde refulgem, qual celeste orvalho,

Os prantos do indigente agradecido,

As gotas do suor de seu trabalho!

Sus, vivente feliz, bendiz teu fado,

Que o céu a teu favor se pronuncia;

Para bem penetrar-te esta verdade,

Contempla um pouco o quadro deste dia!

Como prêmio, já na vida,

Do teu honesto labor,

Deu-te Deus na terra um Anjo

Que te enxugasse o suor!

Um Anjo de caridade,

De candura e singeleza;

Um Anjo, enfim, adornado

Com os dotes de — TERESA!

Por anos tão numerosos

O Senhor tem conservado

O Anjo sempre contigo,

Tu sempre ao Anjo ligado!

Na tempestade e bonança

Sempre o par se conservou

Unido, como dous ramos

Que o mesmo tronco gerou!

Que nunca se perturbe a paz tranquila

Deste Par tão ditoso!

Que seja o Filho, qual tem sido sempre,

Uma cópia do pai; e imensos anos

Se renove este dia

Que nos enche de glória e de alegria!