Ao velho engenho
Sabes de onde te escrevo este simples soneto?
Escrevo-te do mesmo engenho, onde Maria,
Pela primeira vez, sentiu todo o seu peito
Nos afagos da mais espontânea alegria.
Nas eiras, lá por fora, era um cristal desfeito
O claríssimo luar. E a neve que caía,
Recordava a cortina alvíssima de um leito,
No laranjal em flor. E que frio fazia!
Deves, pois, te lembrar desse engenho, por certo:
Na farinhada, em junho, era um céu todo aberto
Nos encantos da paz que a tudo estende um brilho.
Moços vinham dançar, após o árduo trabalho;
E, no forno de cobre, ao calor do borralho,
Faziam ternamente uns lenços de polvilho.