Ao velho engenho

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Sabes de onde te escrevo este simples soneto?

Escrevo-te do mesmo engenho, onde Maria,

Pela primeira vez, sentiu todo o seu peito

Nos afagos da mais espontânea alegria.

Nas eiras, lá por fora, era um cristal desfeito

O claríssimo luar. E a neve que caía,

Recordava a cortina alvíssima de um leito,

No laranjal em flor. E que frio fazia!

Deves, pois, te lembrar desse engenho, por certo:

Na farinhada, em junho, era um céu todo aberto

Nos encantos da paz que a tudo estende um brilho.

Moços vinham dançar, após o árduo trabalho;

E, no forno de cobre, ao calor do borralho,

Faziam ternamente uns lenços de polvilho.