AOS ANOS DO MESMO CONDE
Vir beijar-vos a mão, senhor, não posso
Tão loução, como o dia me aconselha;
É de pedra enganosa a cruz vermelha,
E este pobre vestido é velho, e é grosso:
Se não trago mais pompa, o crime é vosso;
Já pudera, senhor, em sege velha
Governando a cordões meia parelha,
Ornar com fita preta o meu pescoço:
Vestido em ar de corte, festejara
Da preciosa vida a luz primeira,
D’aquele que os meus ferros me quebrara:
Na véspera acendera uma fogueira;
E em honra vossa a minha mão queimara
Quatro bancos de pinho, e uma cadeira.