AOS DOIS VELHOS JOGANDO O GAMÃO
Em escura botica encantoados,
Ao som de grossa chuva que caía,
Passavam de janeiro um triste dia
Dois ginjas no gamão encarniçados:
Corra, vizinho, corra-me esses dados,
Gritava um d’eles, que nem boia via:
De sangue frio o outro lhe dizia
Mil anexins n’aquele jogo usados:
Dez vezes falha o miscro antiquário;
E ardendo em fúria o trêmulo velhinho.
Atira c’uma tábola ao contrário:
O mal seguro golpe erra o caminho;
Quebra a melhor garrafa ao boticário,
Que foi só quem perdeu no tal joguinho.