AOS DOIS VELHOS JOGANDO O GAMÃO

By Nicolau Tolentino de Almeida

Em escura botica encantoados,

Ao som de grossa chuva que caía,

Passavam de janeiro um triste dia

Dois ginjas no gamão encarniçados:

Corra, vizinho, corra-me esses dados,

Gritava um d’eles, que nem boia via:

De sangue frio o outro lhe dizia

Mil anexins n’aquele jogo usados:

Dez vezes falha o miscro antiquário;

E ardendo em fúria o trêmulo velhinho.

Atira c’uma tábola ao contrário:

O mal seguro golpe erra o caminho;

Quebra a melhor garrafa ao boticário,

Que foi só quem perdeu no tal joguinho.