AOS MACHOS RUSSOS

By Nicolau Tolentino de Almeida

Dos russos machos na caída orelha

De três lustros a marca anda estampada;

Entre as câimbras, um palmo pendurada

Babando rega a terra a língua velha;

Troquei por andaluz serril parelha.

Do alegre cara e corpulenta ossada;

Os pés sem ferro, a cauda tosquiada,

E o vasto bojo cheio de guedelha;

São machos tais, que natural fereza

Do Lagoia à fatal cavalariça

Os levara co’a sege a arrastos presa;

Mas já que em dar-lhe a torna houve preguiça,

Se forem ter-lhe a casa por braveza,

Poupo a vergonha de irem por justiça.