AOS QUE APONTAM À BANCA
O coração com ferro temperado
Tinha o duro inventor da banca injusta;
Jogo fatal, que tantas penas custa,
E que tem fartas bolsas despejado:
Quantas vezes eu tive ao ar alçado
Vistoso parolim, que a banca assusta!
Quantas vezes o vi, à minha custa,
Co’as doces esperanças derribado!
Já lá há de ter dado conta estreita
Quem inventou a triste corriola,
Que a cega mocidade a perder deita;
Porque ainda que às vezes nos consola,
Em malhando meia hora na direita,
Deixa o maior taful pedindo esmola.