AOS QUE APONTAM À BANCA

By Nicolau Tolentino de Almeida

O coração com ferro temperado

Tinha o duro inventor da banca injusta;

Jogo fatal, que tantas penas custa,

E que tem fartas bolsas despejado:

Quantas vezes eu tive ao ar alçado

Vistoso parolim, que a banca assusta!

Quantas vezes o vi, à minha custa,

Co’as doces esperanças derribado!

Já lá há de ter dado conta estreita

Quem inventou a triste corriola,

Que a cega mocidade a perder deita;

Porque ainda que às vezes nos consola,

Em malhando meia hora na direita,

Deixa o maior taful pedindo esmola.