Apartamento

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Por um dia de abril, fez-se ao largo um patacho,

Velas brancas ao vento, às propícias rajadas...

E o sol, entre rubis, no ocaso, como um facho,

Entornava clarões nas amplas esplanadas.

Ali brilhava o mar; aqui brilhava o riacho;

E o poeirento areal das compridas estradas...

E a esmeralda da relva a florescer, por baixo

Das cercas, que primor! Mas, nas almas caladas,

De dois peitos que o amor unira, que tristeza!

Na que partira, a luz da própria natureza

Tinha uns laivos de dor e de desolamento...

E então, da que ficara ereta, a prumo, sobre

A pedra do pontal, a voz lembrava um dobre

De um sino no torreão sombrio de um convento...