Após o noivado

By João da Cruz e Sousa

Em flácido divã ela resvala

Na alcova — bem feliz, alegremente,

E o fresco penteador alvinitente,

De nardo e benjoim o aroma exala.

E o noivo todo amor, assim lhe fala,

Por entre vibrações do olhar ardente:

Pertences-me afinal, pomba dormente

Parece que a razão de gozo, estala.

Mas eis — corre-se então nívea cortina:

E a plácida, a ideal, a branca lua

Derrama nos vergéis a luz divina...

Depois... Oh! Musa audaz, ousada, e nua,

Não rompas esse véu de gaze fina

Que encerra um madrigal — Vamos... recua!...