Apostando

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Faceira, de uma forma encantadora, a Rita

Ia comigo à praia e comigo cantava...

Para lhe ouvir, então, a voz clara e bonita

Quanta gente na praia, em cheio, se agrupava...

De tamancos de ourelo e vestido de chita,

E tranças sobre a espádua, e uma flor que brotava

Na linda boca, e aquele olhar de luz bendita,

Ela, a flor singular da praia, se julgava.

Ainda há quem tenha n’alma, esbatida em saudade,

A noite em que ela foi, à mansa claridade

Da lua, à pescaria, o peito unido ao meu...

Desprendidos, depois, de samburá às costas,

Corremos pela sombra, em contínuas apostas...

Mas quem ganhou, beijando-a, as apostas, fui eu.