APPLICA O POETA O CASO SEGUINTE A IGNACIO PISSARRO SENDO APANHADO COM HUA MOÇA P...
Maria mais o Moleiro,
tiveram certas razões,
Maria caiu-lhe a saia,
e ao Moleiro os calções.
Maria todos os dias
levava a moer o trigo:
vem o Moleiro inimigo
rapa-lho todo em maquias.
Tiveram certas porfias
andaram aos empuxões,
Maria caiu-lhe a saia,
e ao Moleiro os calções.
Maria escapou da briga,
mas logo no outro dia,
eis o Moleiro, e Maria
qual de cu, qual de barriga:
qual de baixo, qual de riba
jogaram os repelões,
Maria caiu-lhe a saia,
e ao Moleiro os calções.
Com tão grandes travessuras
Maria tanto esbofou,
que a candeia se apagou,
e ficaram às escuras:
ela cruzou logo as curvas,
e ele deu-lhe uns bofetões;
Maria caiu-lhe a saia
e o Moleiro os calções.
Em aperto tão urgente
tanto o Moleiro suou,
que a fralda em suor molhou,
não sei se é assim, ou se mente:
ela afirma que ele mente,
que era caldo dos culhões:
Maria caiu-lhe a saia,
e ao Moleiro os calções.
Mas por lograr a ocasião
quis o triste do Moleiro
levar a praça a dinheiro,
não à força do canhão:
puxou pelo seu bolsão,
e dando-lhe dous tostões
Maria caiu-lhe a saia
e ao Moleiro os calções.
Maria inda que cansada
gritava com tal pujança,
que acudiu a vizinhança
vendo tanta matinada:
mas vendo a luz apagada
cuidaram, que eram ladrões:
Maria caiu-lhe a saia
e ao Moleiro os calções.
Veio a luz num castiçal,
e sem temer maus agouros,
acham a Maria em couros,
ao Moleiro outro que tal:
ela a contar o seu mal
e ele a dar suas razões,
Maria caiu-lhe a saia
e ao Moleiro os calções.