APUROS
Que desastrado, o Gamboa!
Em toda a parte onde estava
Alguma peça pregava
À sua própria pessoa.
De uma vez, num baile, tanto,
Tanto bebeu esse amigo,
Que, vendo a cousa em perigo,
Disparou, buscando um canto...
E, achando aberta uma porta,
Barafusta, sem demora,
Quando dá com uma senhora,
Que diz, de vergonha morta:
— “Como põe aqui o pé?
Isto é p’ra nós reservado...”
E o Gamboa, encalistrado,
Responde: — “Isto também é.”
E se ele tinha razão
Que o diga quem nunca um dia,
No estado em que ele se via,
Fez das tripas coração.