Aquarela

By Delminda Silveira de Sousa

Era uma casinha bela,

porta verde, muros brancos,

alvas cassas na janela,

franca entrada aos ares francos.

Ao redor, nos verdes campos

de florinhas semeados,

a noite acende pirilampos,

o dia, orvalhos dourados.

Lindas, contentes crianças,

rósea tez, cabelos d’ouro,

nos olhos — Céus d’esperança,

d’inocência alma tesouro,

brincam, colhendo nos prados

mil borboletas mimosas;

brancos lírios perfumados

e açucenas mimosas.

Foge o sol, reverberando,

das águas na branda tela,

à flor do lago, brilhando,

s’estampa a casinha bela...

E enquanto à porta da herdade

espera a esposa saudosa,

no bosque a rola mimosa

suspira — amor e saudade!