ARIANA

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Ela é o tipo perfeito da ariana,

Branca, nevada, púbere, mimosa,

A carne exuberante e capitosa

Trescala a essência que de si dimana.

As níveas pomas do candor da rosa,

Rendilhando-lhe o colo de sultana,

Emergem da camisa cetinosa

Entre as rendas sutis de filigrana.

Dorme talvez. Em flácido abandono

Lembra formosa no seu casto sono

A languidez dormente da indiana,

Enquanto o amante pálido, a seu lado

Medita, a fronte triste, o olhar velado,

No Mistério da Carne Soberana.