AS ESTRELAS

By Gustavo de Paula Teixeira

Dentro da noite, haurindo o aroma agreste

Dos flóreos tufos, dos capões de rosas,

Contemplamos a abóbada celeste

Pontilhada de luzes buliçosas.

E a minha amada, descobrindo o colo,

— Região boreal de gélida brancura, —

A mirar a amplidão de pólo a pólo:

“Quantas estrelas tem o céu!”, murmura.

Causa-lhe assombro o número de opalas

Que Deus semeia pelo azul! E fica,

Longo tempo, no intuito de contá-las,

Olhando o espaço que o oiro astral salpica.

Contar estrelas, que loucura! Abete-a

A viva luz! E em rápidos instantes.

Sua alma, voando para a Via-Láctea,

Se perde numa poeira de diamantes...

E não se lembra a sílfide que adoro

Que não são as estrelas nem metade

Das cristalinas lágrimas que choro

No silêncio das horas de saudade!