As estrelas
Misteriosas estrelas das Alturas,
Moradas alvas e misteriosas,
Sois, para as noites da alma, iluminuras,
Faróis acesos, lâmpadas custosas.
Eu vos busco, em silêncio, dentre as duras
Lancinações sangrentas, dolorosas,
Da vida atroz nas vagas de amarguras;
E em vós confio, estrelas amorosas,
E vós todas, no claro espaço infindo,
Sois uns refúgios que se vão abrindo
A proporção que vamos nós ao espaço
Erguendo os olhos frios de saudade
Na hora em que a morte, cheia de piedade,
Divinamente nos segura o braço.