As horas

By Delminda Silveira de Sousa

Do tempo que passa, a hora mais linda,

mais leda e mimosa, mais pura e louçã,

a hora em que a terra festiva o Céu brinda

em flores e cantos — é a doce manhã!

Depois, — sol ardente requeima a campina;

as aves suspendem sonora harmonia;

sequiosa emudece do prado a bonina,

o sino da ermida soou — meio-dia!

Que lindo horizonte! revivem as flores,

as aves gorjeiam, o sol já não arde...

A hora mais bela, a hora de amores

Mais grata e bendita — é a hora da tarde!

Depois, quando a lua desponta formosa,

que doce perfume do cactos em flor!

à hora da noite a alma repousa

das mágoas da vida nos sonhos do amor!