AS OPERÁRIAS

By Delminda Silveira de Sousa

Voltam do trabalho: Como vêm contentes

Risos inocentes, vozes d’alegria!

— Bando d’avezinhas, vinde pelos ares,

ei-las, voltam aos lares quase — Ave-Maria.

Todo o dia, todo, desde o albor d’aurora!

Quando o céu colora purpurina cor,

deixam o casto leito, deixam o sonho lindo,

e lá vão sorrindo com sorrir de flor.

São laboriosas quais abelhas quando

doce mel buscando pelas flores vão;

elas, do trabalho no sagrado horto

buscam almo conforto, buscam honroso pão.

Pela tarde volvem; como vêm coradas!

vem, talvez cansadas do trabalho rude.

Como são formosas com tão vivas cores,

pobres lindas Flores!... — Flores da virtude!

Trajam pobremente, vêm de branco ou rosa

ou da cor mimosa que reveste o Céu.

Umas, d’escarlate como a flor da vida,

todas têm vestida a alma d’alvo véu.

Todas vêm risonhas, de cestinha ao braço;

nem um simples laço nos cabelos têm,

mas o diadema da virtude encanta

co’a beleza santa que dos Céus lhe vem!

Lá, no lar querido umas têm carinhos,

têm, dos irmãozinhos o sorriso, a fala;

esta, a doce bênção de uma mãe singela

que de a ver tão bela leda vai beijá-la.

Nessa hora grata, desce do Infinito,

meigo olhar bendito cheio de ternura;

é o olhar da Virgem que o Universo envolve,

bênção que absolve toda criatura!