AVANI M.

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Esta deusa infantil que hoje vos mostro,

Ajoelhado, com a citara em sossego,

Lembra um miniaturesco ídolo grego

Diante do qual, como um pagão, me prostro.

Nítidas, do céu côncavo e alto, jorrem

Numa caudalosíssima fluência

Sobre sua arcangélica inocência

As línguas de oiro que no espaço correm.

A Humanidade, estúpida, de rastros

Contemple-a... Toda a Flora se desfolhe

Vendo-a, e do Alto, com raiva ofídica, a olhe

O ígneo exército etéreo e áureo dos astros.