AVE LIBERTAS

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Ao clarão irial da madrugada,

Da liberdade ao toque alvissareiro,

Banhou-se o coração do Brasileiro

Num eflúvio de luz auroreada.

É que baqueia a vida escravizada!

Já se ouvem os clangores do pregoeiro,

Como um Tritão, levando ao mundo inteiro

Da República a nova sublimada.

E ali, do despotismo entre os escombros,

Rola um drama que a Pátria exalça e doura

Numa auréola de paz imorredoura,

A República rola-lhe nos ombros;

Enquanto fora na trevosa agrura

Sucumbe o servilismo, e, esplendorosa,

A Liberdade assoma majestosa,

— Estrela d’Alva imaculada e pura!

É livre a Pátria outrora opressa e exangue!

Esse labéu que mancha a glória pública,

Que apouca o triunfo e que se chama sangue,

Manchar não pôde as aras da República.

Não! que esse ideal puro, risonho,

Há de transpor sereno os penetrais

Da Pátria, e há de elevar-se neste sonho

Ao topo azul das Glórias Imortais!

Esplende, pois, oh! Redentora d’alma,

Oh! Liberdade, essa bendita e branca

Luz que os negrores da opressão espanca,

Essa luz etereal bendita e calma.

Vós, oh Pátria, fazei que destes brilhos,

Caia do santuário lá da História,

Fulgente do valor da vossa glória,

A bênção do valor dos vossos filhos!