Ave, Maria!

By Delminda Silveira de Sousa

A Ti, excelsa Virgem Mãe de Deus,

Venho humilde ofertar-te, reverente,

Estes pobres, mesquinhos versos meus.

Maria! — aceita os cantos de minh’alma!

Aceita o culto meu em teu louvor!

Recolhe no teu véu de nívea cor,

Ínclita Virgem, as flores tão singelas,

As rosas que te oferta o meu amor!

Louva a aurora a Maria, quando estende

no Céu de puro azul a luz mimosa;

honra Aquela de Amor Mística Rosa,

a flor singela que no val’recende.

O sol, que mil aljôfares acende

por sobre a relva, na estação formosa,

à Stela Matutina esplendorosa

humilde culto de homenagem rende.

As águas que murmuram docemente,

a pomba que suspira de ternura

nos ermos da colina florescente,

a tarde, o meio dia, a noite escura,

a terra, o mar e todo o ser vivente

exalçam o teu Nome, Ó Virgem pura!

Maria! — Vós, que tendes a brancura

dos lises do jardim na virgindade,

e dos lírios o mel n’amenidade

do seio maternal — todo doçura,

Vós, que ainda sentis terna amargura

ante o crime da ingrata humanidade,

e dos homens lavais a iniquidade

com torrentes de graças, de ternura,

Vós, que nunca esqueceis o desgraçado,

que do vil pecador mais criminoso

tanta vez o perdão tendes logrado:

volvei à terra vosso olhar piedoso

para que seja o Céu glorificado

e possa ainda o mundo ser ditoso!