Ave, Maria!
A Ti, excelsa Virgem Mãe de Deus,
Venho humilde ofertar-te, reverente,
Estes pobres, mesquinhos versos meus.
Maria! — aceita os cantos de minh’alma!
Aceita o culto meu em teu louvor!
Recolhe no teu véu de nívea cor,
Ínclita Virgem, as flores tão singelas,
As rosas que te oferta o meu amor!
Louva a aurora a Maria, quando estende
no Céu de puro azul a luz mimosa;
honra Aquela de Amor Mística Rosa,
a flor singela que no val’recende.
O sol, que mil aljôfares acende
por sobre a relva, na estação formosa,
à Stela Matutina esplendorosa
humilde culto de homenagem rende.
As águas que murmuram docemente,
a pomba que suspira de ternura
nos ermos da colina florescente,
a tarde, o meio dia, a noite escura,
a terra, o mar e todo o ser vivente
exalçam o teu Nome, Ó Virgem pura!
Maria! — Vós, que tendes a brancura
dos lises do jardim na virgindade,
e dos lírios o mel n’amenidade
do seio maternal — todo doçura,
Vós, que ainda sentis terna amargura
ante o crime da ingrata humanidade,
e dos homens lavais a iniquidade
com torrentes de graças, de ternura,
Vós, que nunca esqueceis o desgraçado,
que do vil pecador mais criminoso
tanta vez o perdão tendes logrado:
volvei à terra vosso olhar piedoso
para que seja o Céu glorificado
e possa ainda o mundo ser ditoso!