Ave Maris Stella!

By Delminda Silveira de Sousa

Alta noite, no mar, das brumas o sudário

Lento, lento a cair, estende-se gelado,

E dum navio audaz o negro vulto ousado

Envolve no lençol espesso, mortuário.

O vento a sibilar no campo solitário,

Do chão undoso vem, e sobe arrebatado

Aos mastros, a uivar indômito, enraivado

Como leão feroz, temível, sanguinário.

Para a intrépida nau, sem rumo, sem lanterna...

Voz de comando soa, e, meiga, doce, terna,

Brada, cheia de fé uma voz de criança:

— “Valei-nos, Mãe do Céu!” — O dia nasce agora,

E a estrela da manhã no leve azul d’aurora

Brilha, — imagem fiel da Virgem da bonança.