Ave Maris Stella!
Alta noite, no mar, das brumas o sudário
Lento, lento a cair, estende-se gelado,
E dum navio audaz o negro vulto ousado
Envolve no lençol espesso, mortuário.
O vento a sibilar no campo solitário,
Do chão undoso vem, e sobe arrebatado
Aos mastros, a uivar indômito, enraivado
Como leão feroz, temível, sanguinário.
Para a intrépida nau, sem rumo, sem lanterna...
Voz de comando soa, e, meiga, doce, terna,
Brada, cheia de fé uma voz de criança:
— “Valei-nos, Mãe do Céu!” — O dia nasce agora,
E a estrela da manhã no leve azul d’aurora
Brilha, — imagem fiel da Virgem da bonança.