Ave morta

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Morta a ave querida, a idolatrada

Ave que sempre gorjeava à porta

Da nossa casa! Para sempre morta

Aquela que era uma ave imaculada!

A dor austera, a negra dor velada

Nas incertezas — essa dor que corta,

Certo a tua alma ansiosa não suporta...

Mas o que hás de fazer, mulher amada?

Como soluças! Como choras tanto!

Que plenilúnios! Que marés de pranto!

Desses olhos tristíssimos transvazas!

Mas não prossigas, para que a nossa

Filha, que é hoje uma ave alegre, possa

Voar, sem peso nas franzinas asas.