AVENTURA DE UM FARMACÊUTICO E BOM POETA

By José Joaquim Correia de Almeida

Na Serra do Sapateiro,

Viajando para a Pomba,

Solta os estribos, e tomba

Um farmacêutico andeiro.

Dá mil beijos no atoleiro,

Quando menos ele o espera,

E bom fora que os não dera,

Pois chegando enlameado

Ao primeiro povoado,

Ninguém sabe quem ele era.

Desde os pés até o pescoço

Não se via senão barro,

Capaz de encher mais de um carro,

Ou de entupir mais de um poço.

Felizmente nenhum osso

Esmigalhado lhe fica,

E esfregado com arnica

O antecessor do Lepage,

Sem demorar a viage,

Vai abrir nova botica.

Disse então uma das musas,

Reprimindo o riso a custo,

Depois de acalmado o susto:

Tu não és digno de escusas!

Do mais fraco sendeiro usas,

Pondo à margem o Pegaso,

Que sói levar-te ao Parnaso

Com segurança tão firme,

Que nunca sucedeu rir-me

De casos como este caso!