AVENTURA DE UM FARMACÊUTICO E BOM POETA
Na Serra do Sapateiro,
Viajando para a Pomba,
Solta os estribos, e tomba
Um farmacêutico andeiro.
Dá mil beijos no atoleiro,
Quando menos ele o espera,
E bom fora que os não dera,
Pois chegando enlameado
Ao primeiro povoado,
Ninguém sabe quem ele era.
Desde os pés até o pescoço
Não se via senão barro,
Capaz de encher mais de um carro,
Ou de entupir mais de um poço.
Felizmente nenhum osso
Esmigalhado lhe fica,
E esfregado com arnica
O antecessor do Lepage,
Sem demorar a viage,
Vai abrir nova botica.
Disse então uma das musas,
Reprimindo o riso a custo,
Depois de acalmado o susto:
Tu não és digno de escusas!
Do mais fraco sendeiro usas,
Pondo à margem o Pegaso,
Que sói levar-te ao Parnaso
Com segurança tão firme,
Que nunca sucedeu rir-me
De casos como este caso!