Balada matinal

By João da Cruz e Sousa

Cantam agora os pássaros nos ramos

Dos verdejantes, flébeis arvoredos...

E que adoráveis, íntimos segredos

Eles dirão, que nós não deciframos...

Coleiros, sabiás e gaturamos

Cantam felizes, joviais e ledos,

Na densa mata verde dos silvedos

Profundos como os sonhos que adoramos.

Vem tu agora, ó dríade dos campos,

Vem comigo colher os frutos lampos

Do casto amor com que a tu’alma abrasas,

Que enquanto assim os pássaros cantarem

E pela mata flórida voarem,

O meu amor te estenderá as asas.